
Eu já praticava no Desporto Escolar, e aí vou ter de recorrer ás medalhinhas para me relembrar, no entanto esta foi a minha primeira equipa federada e foi também a minha 1ª viagem de avião. Esta equipa foi sem dúvida aquela que mais me marcou enquanto aprendiz, pois eram atletas mais velhos, com uma experiência e vivência do jogo muito superior á minha. Aprendi imenso, também tinha bons professores, mas a quantidade de nova informação e de novos desafios eram diários. Foi um ano onde aprendi muito de voleibol e cresci como pessoa, muitas barreiras se colocaram e muitas respostas tive de dar para corresponder.
Lembro-me de quase tudo e acho que o que vou dizer a seguir vai ser daquelas histórias que contarei a todos os meus atletas e familiares.
O voleibol na margem sul sempre teve poucos clubes e como gostava de voleibol só podia na altura ir para a Siderúrgia Nacional, mas o 1º obstáculo era grande treinos das 22h ás 24h, como fazer? e os meus pais, eu só tinha 16 anos. A sorte é que conheciam o Quim, o treinador e umas vezes de transportes e outras de boleia do treinador, lá fui indo. Depois foi chegar e ver um nível que nunca tinha visto, eu que até gostava de passar, começei a ver distribuidores, para mim que já tinha visto o "Joaõzinho" era um sonho ser como ele, por tudo, pela postura, pela qualidade e pela pessoa, que actualmente considero amigo e que muito me ensinou no voleibol. Mas nem tudo eram maravilhas, havia sempre um ou outro menos tolerante e até chato que partia a cabeça ao puto, que era eu. Ás vezes ainda nem tinha levantado a bola já estavam a mandar vir do passe, ui foi complicado. Quando começou o campeonato nacional o puto começou obviamente no banco, nem sabia o que era o 5-1, quanto mais, pois no desporto escolar era só o 4-2 e já era muito bom. Fui sempre treinando e aprendendo e aqui tirei mais uma lição de vida voleibolistica, é tão importante jogar como ficar no banco e isto não é só blablabla, porque eu aos poucos sabia qual era o meu lugar na equipa, sabia onde podia ser útil e só descansei quando cumpri e fui util para a minha equipa. Eu que sempre tinha passado, começei a receber e a defender (também já tinha sido guarda-redes de futebol e isso foi vantajoso) até que começei a entrar regularmente para fazer aquele pontinho, que me punha ao rubro. A minha confiança foi tanta e a do treinador que num jogo decisivo, no pavilhão São Julião da Barra, contra o Sebastião e Silva (lembro-me como se fosse hoje) num 5º set aos 14-13 para nós, entro para defender (não esquecer que só este set é que era a rally-point)todo eu tremia, a bola é passada para o #4 do Sebastião e Silva que ataca forte, diagonal e adivinhem quem estava a defender #5, eu mesmo, quando de repente me lanço á bola e paro, analiso impulsivamente a trajectória da bola e deixo-a passar, ups foi fora, gánhamos o jogo. Aquele momento foi inesquecivel, a pressão, o acreditar do treinador em mim, foi único. Foram tantos momentos que eu futuramente voltarei a esta mensagem. Só quero identificar os meus colegas de equipa: (da esquerda para a direita e de cima para baixo) em cima: jogador/treinador Quim; Eu Mesmo; Miguel Vargas; Rogério; Alexandre Lopes e César Silva. em baixo: Pedro Mata; Pedro João; Edgar Plácido; João Vitorino; Paulo João e Luis Nunes.
Segunda divisão, actual A2.
P.S: Se tiverem dificuldade em ver a foto, cliquem sobre ela.

