A abordagem deste tema cada vez tem maior significado, não que esta geração esteja em termos cronológicos muito distante da minha, mas os sinais de diferença são muito acentuados. Não me quero armar em cota, longe disso, mas tenho o dever de analisar e comunicar, enquanto educador e participante neste processo complicado de ensinar. Cada ano que passa vou sentindo um distanciamento dos jovens no cumprimento das normas que regem a vida. Desde as atitudes e valores, como a indisciplina, o desrespeito, a falta de amor próprio, de vontade e de olhar para o próximo. Um dos responsáveis é claramente o materialismo, a facilidade em conseguir objectos desejados, a facilidade em obter tudo o que se pede. Os estímulos para a diversão são muitos, sendo preferível um jogo de computador, um passeio a um centro comercial, relativamente a praticar um desporto ou a realizar uma actividade física não balizada. A responsabilidade em participar activamente dentro de um enquadramento desportivo é cada vez mais difícil, o esforço, o espírito de sacrifício, de entreajuda, de entrega e busca de excelência, é cada vez mais um segundo plano, o facilitismo em que culturalmente estamos a entrar permite que pensem que podem ser melhores sem qualquer tipo de sacrifício, no meu ponto de vista, enganam-se profundamente aqueles que assim pensam, assim não conseguem viver. Face á nossa actual sociedade, dias negros se aproximam, onde claramente vamos passar mal, vamos regredir como nunca e se não houver coesão e jogarmos mãos á obra, nós, nossos filhos, netos e não sei se bisnetos, vão sofrer muito. O desporto que até agora tem sido um elo de ligação entre povos, até esse começa a ceder, como temos visto os Jogos Olímpicos começam a servir de intermediário politico, e começam a utilizá-lo como veiculo de transporte de cargas perigosas, quem pratica desporto é educado perante regras e quem as cumpre sabe que este tipo de oportunismo face ao desporto é completamente inadequado. Já lá vão os tempos em que se escolhiam jovens para serem atletas de elite, agora qualquer um que faça os mínimos pode lá chegar, tal é a escassez da procura e se não fossem os viveiros (escolas) então é que o desporto federado já tinha fechado portas. Não podemos assistir sentados á espera que alguém faça alguma coisa, temos de ser nós todos (educadores, pais e políticos) a ter um papel activo e mudar a sociedade, senão entramos em ruptura definitiva. Até o associativismo está á porta do cemitério, estão em vias de extinção os conhecidos "carolas" aqueles que de livre e espontânea vontade participavam sem qualquer remuneração no processo desportivo e educacional dos jovens, agora para vê-los só com binóculos. Por isso caros jovens cada dia que passa está pior, e amanhã já são homens lançados á selva, sem emprego, sem casa, sem dinheiro , sem estabilidade emocional e sem vivências nenhumas. E assim vai a sociedade e cá fica mais um desabafo.