
Só agora resolvi realizar o balanço da época desportiva, pois como sempre faço resolvo todos os assuntos pendentes com a equipa e encerro a época com quase tudo resolvido. Esta foi uma época muito especial para mim, coloquei os meus objectivos enquanto treinador bastante altos e sabia que para os alcançar teria de disponibilizar muito tempo (o tempo para mim tem sido claramente o maior obstáculo, conciliar a vida pessoal, profissional e as 2 equipas de voleibol, tem sido quase impossível) e trabalho. A época iniciou-se com decisões marcantes para mim, o facto de não ter aceite assumir o cargo de treinador principal da Lusófona e ver perdido o trabalho de muitos anos, foi doloroso, mas no meu entender não haviam condições para que a equipa continuasse, mas acho que algumas pessoas devem ter tirado grandes ilações do sucedido e eu não fui uma dessas pessoas de certeza. Voltando á época desportiva e após este episódio inicial sabia que as minhas equipas teriam objectivos diferenciados, pois uma equipa era composta maioritariamente por juvenis de segundo ano e a outra por juvenis de primeiro ano, com algumas iniciadas pelo meio e o tempo de treinos reservado para as equipas era diferenciado. Assim sendo o inicio de época foi muito bom, a equipa feminina foi vice-campeã regional e a masculina campeã regional juvenil e vice-campeã regional júnior (a equipa participou nos 2 campeonatos), este foi um inicio muito produtivo, se na equipa feminina estávamos a consolidar o sistema de jogo 5-1, na masculina estávamos a integrar o novo elemento e a procurar corrigir algumas lacunas da época transacta.
Na 1ª fase do campeonato nacional ambas as equipas tiveram bons comportamentos, no entanto e como era de esperar os masculinos foram 1ºs do grupo e demonstraram uma supremacia muito grande, as meninas tiveram mais algumas dificuldades e ficaram em 2º do grupo, no entanto conseguiram passar á segunda fase e ficar nas 16 melhores equipas nacionais, o que face ás condições foi muito bom. Na 2ª fase já com as equipas do Norte, as meninas somente venceram um dos seis jogos, frente á Lusófona por 3-2, pois as equipas que defrontaram eram das melhores nacionais (AVC, ALA Gondomar e a Lusófona VC), enquanto que os rapazes somente perderam um jogo, em Espinho. Os rapazes nesta fase deram indicações muito positivas, superaram grandes escolas do voleibol nacional (SC Espinho, GC Vilacondense e Gueifães). O primeiro jogo dos rapazes em casa frente ao SC Espinho foi muito bom, depois de terem jogado contra equipas bem mais acessíveis, os testes ao valor da equipa começaram aqui e a resposta foi óptima, iniciaram esta fase vencendo o SC Espinho por 3-1, depois receberam e venceram o Gueifães por 3-0, foram perder 3-0 a Espinho, receberam e venceram o Vilacondense por 3-1, foram a Vila do Conde vencer 3-0 e no último jogo venceram 3-2 em Gueifães. A partir desta 2ª fase veio um conjunto de lesões, desde traumáticas, até ás inflamações, o que foi muito problemático devido ao reduzido número de atletas, mas foi aqui que também senti força, pois quem entrava para substituir apresentava argumentos muito bons ao nível daqueles que estavam lesionados. Em relação ás meninas, estas terminaram o campeonato nacional por aqui, os rapazes foram á 3ª fase, fase esta que já só contava com as 8 melhores equipas nacionais. O primeiro problema para os rapazes irem a esta fase, foi o económico, a dificuldade em participar nesta 1ª fase concentrada, com os jogos a serem realizados em Matosinhos, ficámos alojados em Espinho e encarámos esta nova etapa com muita dedicação e empenho, a união, o espírito de equipa e a vontade foram cruciais, aproveitámos todo o tempo em que estivemos juntos, para fortalecer o grupo e preparar jogo a jogo. Entrámos nesta fase num jogo, onde o ambiente nos era totalmente contrário, pavilhão cheio com quase a totalidade do público da equipa adversária ( que jogavam quase em casa) a pressionar bastante a nossa equipa e a equipa de arbitragem, envolvidos naquele ambiente a equipa adversária acusou a nossa serenidade, tendo sido advertida com 5 cartões amarelos, num jogo muito emotivo, onde a nossa equipa nos momentos cruciais sempre respondeu muito bem e acabámos por vencer por 3-1, diante a AAS Mamede. Ao entrarmos para o 2º jogo, sabíamos que a vitória nos dava o passe para a fase final e que tínhamos de deixar tudo ali, e assim foi num jogo difícil fomos bastante superiores e vencemos por 3-0 a equipa do Angra VC (Açores). No último jogo perdemos por 3-0 com o Leixões, mas ficámos com um sabor amargo, pois perdemos todos os sets pela diferença mínima. Após este grande feito que foi alcançar a fase final, sabíamos que iriamos ter pouco tempo de recuperação e que a preparação dos últimos jogos seria reduzida. Então soubemos que uma vez mais teriamos de nos deslocar ao Norte para jogar em Arcozelo, com jogo novamente na 6ª feira, onde alguns atletas de manhã tiveram prova intermédia, tínhamos mais 300 e tal quilómetros e não tínhamos dinheiro para ir. Só foi possível porque os pais uma vez mais suportaram grande parte das despesas e a federação facultou um subsidio, mas eu nem quero falar disto senão ou fico doente ou louco. E assim fomos, ficámos alojados novamente em Espinho e calhou-nos logo no 1º jogo o Leixões, o 1º set foi crucial a ganharmos 20-15, perdemos 26-24 e a partir daí o jogo acabou, entregámos o jogo sem termos lutado por ele, mas é assim ás vezes, não devia ser, mas foi. Este jogo foi de tal forma marcante, que me deixou grandes mazelas, não pela derrota, mas por ter tomado a decisão de prescindir de um atleta por questões disciplinares e internas da equipa, este sim foi para mim o pior momento da época. Não que me arrependa, pelo contrário acho que foi o melhor para a equipa, mas sei que os 16, 17 anos por vezes os atraiçoam, mas o respeito é um elemento fundamental na vida em sociedade. Voltando á fase final e ao 2º jogo, contra o conhecido SC Espinho, onde o balanço dos confrontos era um empate, uma vitória e uma derrota, foi um jogo desgastante, onde vencemos pela margem mínima 3-2, mas onde fomos os justos vencedores. O último jogo era decisivo na atribuição do 2º e 3º lugares, foi jogado contra a AA Espinho, neste jogo os atletas acusaram bastante o grande numero de sets nas pernas, em dois fins-de-semana consecutivos (23 sets, é muito set para 9 atletas) mas a perder 2-0, demonstraram o porquê de ali estarem e foram, para mim, uns verdadeiros heróis, sem forças, empataram a 2-2 e só claudicaram no último set, entrando na negra muito mal. Considero o 3º lugar excelente, acho que a equipa do Leixões foi a justa vencedora, mas não trocava a minha equipa pela deles. Saí muito orgulhoso do trabalho realizado e face ás muitas condicionantes acho que foi mesmo muito bom. Para culminar quero dizer que fiquei muito satisfeito com todos os meus atletas (rapazes e raparigas) e que todo o esforço realizado por todos foi muito recompensador para mim e acho que para eles também. Mas apesar de ter sido muito recompensador foi muito exigente do ponto de vista humano, para mim houve alturas de impaciência e de cedência quase irrecuperáveis, por isso estou numa fase de reflexão pois a continuação acarreta grandes responsabilidades, preocupações e tempo e agora com a filhota não sei até que ponto conseguirei chegar a todo lado. E como em tudo na vida temos de ter prioridades.