Toda a nossa vida se rege por uma avaliação diária, uma avaliação de atitudes, uma avaliação de saberes, uma avaliação de sentimentos, tudo é avaliado. A forma como falas, como andas, como sentes, como reages, como exteriorizas, tudo é avaliado. Mas afinal o que é avaliação, para mim é fácil, é só saber o que é o bem, o que é o mal e o que fiz afinal, tão simples, só tenho é pena de não saber o que é o bem, o que é o mal e por vezes o que é que eu fiz. Mas porque é que quando existe um processo de avaliação, este nunca é simples, para mim é simples, é porque avaliar é complexo. Medir palavras, medir actos, medir tudo o que faço, estou cansado da avaliação. É na rua, é no trabalho, é no desporto, até nas compras e nos passeios, sempre a ser avaliado. Ás vezes penso que existe um OLHO, que está constantemente a olhar para mim, porque tudo o que faço é avaliado e tem consequências. Ás vezes também confundo avaliação com responsabilidades. Avaliação é sempre sinónimo de avaliador e avaliado, alguém tem de fazer alguma coisa para o outro avaliar, quem avalia deve reger-se por normas e quem é avaliado deve saber que normas são essas. O bom senso também entra aqui, fala-se que é preciso ter bom senso para avaliar, mas o bom senso é aquela coisa que todos deviam ter, mas ninguém sabe concretamente o que é. Mas uma avaliação tem como produto final, sempre um resultado, resultado esse que deve ser objectivo, mas que raramente o é. Há aqueles que toda a vida foram avaliadores, há aqueles que toda a vida foram avaliados, mas lá no fundo todos foram avaliadores e avaliados.
"Viagens na minha alma" - Nuno Maria