O distribuidor é claramente o estratega da equipa, dizem que é a peça mais importante num jogo de voleibol, eu sou suspeito mas concordo em absoluto.
Compete-lhe ser consistente tecnicamente, ser criativo e ter uma boa capacidade de líderança.
Um distribuidor tem de colocar a bola onde quer, com a trajectória que quer, imprimindo a velocidade que quer, deve ser criativo ao ponto de não estereotipar o seu passe e poder mexer com a sua equipa e a adversária, não permitindo uma fácil analise estatística das suas zonas mais solicitadas. A liderança deve ser uma das características do distribuidor, ele várias vezes tem de decidir, ele várias vezes manda no jogo, ele várias vezes assume. Um líder sabe quando deve exigir e sabe quando deve ceder, por vezes assume os erros dos outros em prol do rendimento do atacante.
Ele melhor do que ninguém conhece os seus recebedores prioritários, os seus atacantes, compete-lhe decidir naquele momento quem pode ser solicitado e cumprir da melhor forma. O domínio de cada formação é fundamental, saber quem está em melhor condição, tanto no side-out, como na transição.
A capacidade de antecipar o deslocamento, seguido do enquadramento, são pressupostos fundamentais. A travagem e as mudanças de direção assumem também um papel crucial, qualquer distribuidor deve ler o primeiro toque, antecipar a zona de contacto, travar de forma a entrar em contacto com a bola em equilíbrio e devidamente enquadrado. Durante o trajecto para a zona alvo muitas mudanças de direção são realizadas, por isso este tipo de deslocamento deve ser treinado em diversas situações. O posicionamento do distribuidor no side-out deve ser de forma a realizar deslocamentos curtos e rápidos, paralelo à rede dominando o seu lado e espreitando por cima do ombro o outro. Óbvio que existem posicionamentos que permitem uma mais fácil leitura de todo o jogo e outras de maior dificuldade. Uma recepção em zona 1, após serviço em zona 5 dificulta o campo de visão do distribuidor e reduz o tempo de analise, a bola entra pelas costas, o que obriga a um mais difícil reposicionamento e a uma execução técnica de grau superior.
A visão periférica, muito pouco treinada pelos treinadores é crucial, o foco no nosso recebedor, a analise do central contrario, são preponderantes na tomada de
decisão assertiva.
O distribuidor deve preparar da melhor forma a construção do ataque, antes do início da jogada deve claramente saber quem são os seus atacantes e os seus adversários diretos, deve tentar tirar o maior partido das lacunas adversarias, por exemplo a estatura dos pontas, o tipo de marcação de bloco que realizam, a capacidade do nosso atacante para cumprir aquilo que o distribuidor idealiza.
Um distribuidor deve jogar sempre com os braços bem elevados e sempre que possível em suspensão, permitindo-lhe acelerar o jogo e dificultar o deslocando dos blocadores contrários. O domínio dos dedos polegares é importantíssimo num distribuidor, o encaixe da bola nos dedos polegar e indicador, a capacidade de dominar vários tipos de passe e isso depende muito da colocação das mãos, da flexibilidade e extensão dos membros superiores e inferiores. O extensor dos dedos indicadores tem de ser trabalhado, estes são fundamentais na repulsão da bola, no efeito elástico dos dedos.
Com um bom domínio do passe é possível durante o contacto acelerar ou atrasar a repulsão da bola, é importante para prender os blocadores e é importante para deixar os atacantes em condições privilegiadas.
O passe em contra-salto permite atrasar a saída do central adversário e a saída da bola respectivamente, bem como permite mais tempo ao distribuidor para ler a defesa alta e baixa adversária, no entanto a exigência muscular é muito superior nesta variante.
A zona de contacto com a bola pode ser intencionalmente modificada, permitido-nos retardar ou acelerar o jogo.
A partir do momento que o meu distribuidor deixa vezes consideráveis o atacante 1 para 1, isto demonstra um domínio considerável e um indicador da evolução do mesmo. Óbvio que a dificuldade é muito superior quando a distribuição é feita fora da zona alvo, nomeadamente bolas 2 e 3.
O domínio da trajectória de passe face à zona de recepção, é muito importante, pois uma recepção para zona 4 não pode ter a mesma abordagem ao nível do passe do que uma recepção para zona 2/3. A capacidade de analise do distribuidor face à qualidade da recepção permite muitas vezes o domínio do central adversário e a decisão de jogar na inversão quando a recepção fica chegada às pontas.
O domínio corporal e a finta na altura da execução, são domínios mais difíceis e não estão ao nível de muitos. Com a generalidade das equipas a realizarem uma avaliação da equipa adversária, um dos processos avaliados é a movimentação corporal do distribuidor. Alguns distribuidores aquando da realização do passe de costas avançam a bacia, esta analise pode ser muito importante, no entanto o distribuidor pode e deve utilizar esta lacuna em seu proveito, dando uma indicação corporal como se o movimento fosse realizado num sentido e depois o distribuidor joga no outro sentido.
Há várias estratégias dos distribuidores face aos erros dos seus atacantes, uma delas muito utilizada é o distribuidor dar a bola imediatamente a seguir ao erro, ao mesmo atacante.
As marcações de combinações de ataque podem ter dois sentidos, o de com trocas de posição "enganarem" os blocadores diretos ou marcar a combinação para prender os blocadores e jogar no lado oposto ao da marcação da combinação.
Em estádios iniciais da formação de atletas, as formações P2, P3 e P4, são formações onde a organização ofensiva tem de ser melhor preparada pelo distribuidor, o facto de contar só com dois atacantes, dificulta as opções de ataque e permite uma melhor organização ao nível do bloco contrário. As diferentes variações das zonas de ataque, das velocidades de bola, podem ajudar. Num estado mais avançado a opção de 2ª linha minimiza esta situação. Também aqui é importante considerar o distribuidor como opção de ataque, muitas das vezes para prender o zona 4 adversário e em outros casos o ataque ao segundo toque.