segunda-feira, 16 de março de 2015

A escrita

Durante vinte e muitos anos a minha forma de expressão sempre foi muito condicionada, muito fechado e intervindo na grande maioria das vezes só quando chamado a atuar. Sempre tive as minhas opiniões e mesmo depois de ouvir e refletir sobre o que os outros diziam, sempre tirei as minhas ilações. Durante esses vinte e tal anos, aprendi com a minha mãe, muita coisa, sobretudo através de muito diálogo e de visualizar muitas ações por ela feitas e que me demonstravam que aquilo que dizia tinha reflexo direto naquilo que fazia. Durante todo o meu percurso académico houve uma coisa que destaquei no processo ensino-aprendizagem, é que quem mais dúvidas tinha e se expunha, melhor preparado ficava. Neste mesmo processo percebi também que quem mais partilhava melhor aluno era, percebi mais tarde que a grandeza da partilha é um estado de maturidade mais avançado e que a compreensão desse estado pode nunca acontecer, um dos motivos é o caracter competitivo e egocêntrico da sociedade em que nos encontramos, cada um por si, tentando sobreviver e tentando se destacar impondo as suas regras e os seus ideais.
Até à pouco tempo não sentia a necessidade de escrever para transmitir algumas coisas e neste momento sinto, sinto necessidade de deixar o meu ponto de vista e de partilhar, pensamentos, situações quotidianas, aprendizagens, estados de espírito. Muitas vezes impulsionado por feedback´s que recebo de muita coisa que transmito, de muitas opiniões sobre o que escrevo, de ajudas e novas aprendizagens que recebo, pois pontos de vista diferentes ou novos são mais aprendizagens. A vida tem-me permitido conhecer grandes atores desta sociedade, ter o prazer de ter muitos deles como amigos e de podermos trocar opiniões e aprendizagens, enchendo o portfólio da vida, com ideias diversas e fundamentadas. Comecei algumas coisas na vida como autodidata e isso também foi bom, pois permitiu testar ideias e permitiu procurar encontrar soluções para aquilo que não tinha resposta, Ao dia de hoje continuo a pensar igual e sei que quem está no campo e testa diariamente está melhor preparado para lidar e preparar os outros, pois as soluções muitas vezes não são as mesmas, não saem dos livros e só são resolúveis através do background que todos os dias é alimentado. Muitas vezes pensei parar para refletir e avaliar, nunca consegui parar, tento refletir e avaliar dentro do processo e isso tem sido para mim mais rico.
Destaco que tenho aprendido muito ao ouvir o mais leigo e ao ouvir o mais sabedor, muitas vezes as soluções vêm da simplicidade e da vontade de quem transmite, muitas vezes a teoria e os padrões não passam de perdas de tempo.
Muitas vezes correndo o risco de escrever mal, pois não sou da área e a escrita requer técnica e normas, prefiro escrever mal e transmitir aquilo que desejo, do que fechar a porta. Senti a partir de dado momento a obrigação de escrever, obrigação como fator de transmissão, porquê transmitir a 9 ou 10 se podemos transmitir a 1000. Transmitir muitas vezes aquilo que todos sabem, mas que eu humildemente considero fundamental e defendo, se dos 1000 nenhum estiver interessado, é porque não interessa o que escrevi, mas se 1 achar importante, talvez já seja positivo.
O sentido de missão que tenho sentido nestes meus anos de existência, dizem-me que temos de seguir aquilo que acreditamos e que gostamos, que temos de tentar fazer pelos outros aquilo que queremos para nós e se puder contribuir fico feliz. Por isso vou escrevendo, mas quando mudar de opinião também sou menino para parar e mudar.  

Hugo Maria - Voleibol