Nos dias que correm, tem sido óbvio a necessidade e a procura de estratégias para colmatar a inatividade física.
É para mim claramente visível uma mudança cultural dos hábitos dos Portugueses, ao nível da prática de atividade física regular, sendo esta mais visível na última década.
Passou-se a ter mais informação e a atribuir um maior e mais correto significado à importância da prática física regular.
O trabalho realizado nas escolas, nos ginásios e afins têm-se demonstrado preponderante para esta aquisição de hábitos, fundamentais à nossa Saúde.
Hoje falo aqui como um mero leigo, somente a opinião de um professor e treinador, como se fosse um médico de família a falar de uma especialização, mesmo correndo o risco de dizer umas asneiras, sinto a necessidade de alertar e balizar algumas coisas gerais.
Tenho visto com alguma preocupação a quantidade de momentos partilhados na internet envolvendo a atividade física, alguns realizados por leigos, outros por atletas, outros por profissionais da atividade física e saúde, realizado muitas vezes de forma irresponsável, sendo na maioria das vezes para todos, sem respeitar muitos dos princípios do treino e não tendo em conta muitas vezes a especificidade de cada pessoa que realiza as atividades propostas.
Muitas vezes é apresentado sem se fazer ao recetor qualquer diagnóstico, enquadramento e avaliação. Atividade Física realizada em pacotes, sem qualquer acompanhamento, sem qualquer perceção do certo e errado.
Não estou a querer dizer com isto que não devemos realizar atividade física neste nosso contexto de quarentena, pelo contrário, mas devemos todos ter a noção daquilo que nos propomos fazer, pois em vez de tirarmos benefícios, podemos estar claramente a criar problemas que podem ser perigosos a curto, médio e longo prazo.
A maior parte de nós sabe que “A atividade física tem um papel muito importante na gestão do stress, na promoção de um sono mais tranquilo, na libertação de endorfinas e promoção de emoções positivas e, portanto, é agora mais do que nunca fundamental”. (Marlene Silva).
Atualmente, em tempo de pandemia e que nos leva ao confinamento e ao teletrabalho em casa, é um momento de risco de inatividade física e, consequentemente, o sedentarismo tende a aumentar, assim como os níveis de ansiedade e de preocupação. É fundamental praticarmos exercício físico tendo em conta o seu contributo na manutenção da saúde física e mental dos cidadãos.
A Direção-Geral de Saúde informa que devemos praticar “atividade física de intensidade pelo menos moderada”, durante cerca de 30 minutos, por dia.
Agora, mais do que nunca, devemos criar estratégias para interromper o nosso comportamento sedentário, como por exemplo, de 30 em 30 minutos levantarmo-nos e darmos umas passadas dentro da nossa casa. Criar o hábito de, diariamente, fazermos atividade física de intensidade moderada durante cerca de 30 minutos.
“Esta intensidade deve ser adaptada à condição física de cada um, com o foco dos treinos devendo ser, o estabelecimento e/ou a manutenção de uma boa “condição física geral”.
Ou seja, deve-se treinar, mas fazê-lo de forma adaptada à nossa condição física e sem exageros. A ideia fundamental é manter a saúde...” (Rodrigo Ruivo).
Nesse sentido a atividade física deve começar de forma gradual, com baixa intensidade, pressupondo sempre um aquecimento geral.
Os exercícios devem ser o mais globais possível, passando por todas as grandes estruturas musculares do corpo e tendo em conta que pelo facto de passarmos mais tempo sentados, os glúteos, abdominais, região lombar e ombros são zonas que não devemos nunca esquecer de exercitar.
A gestão autonoma de volume e intensidade dos exercícios tem de ser muito bem ponderada.
E será que não podemos simplificar e trabalhar na mesma?
Por exemplo, podemos sempre andar pela casa, instalar um pedómetro digital e contabilizar o nosso número de passos, podemos sempre aproveitar para dançar, e aproveitar para utilizar as atividades domésticas para realizar atividade física.
Obviamente que quem tem um personal trainer está devidamente acompanhado, bem como aqueles que são na realidade atletas e que sabem adequar as suas necessidades à correta realização da atividade física em contexto de casa. O problema para mim coloca-se em relação à grande maioria que não sabe. Não sabendo e devendo fazer, deve, no meu humilde entender realizar o mais simples, o mais global e de forma a que se sinta bem. Muitas vezes a cópia não é ajustada, pelo contrário é contraproducente.
Fica aqui uma opinião, não se chateiem comigo, que eu só queria ajudar.