Por isso meus amigos aquilo que fazemos é continuar a brincar ao voleibol, que só difere nas vertentes escolares, universitárias, INATEL e federadas em coisas mínimas que ridicularizam a vertente da alta competição. Em Portugal quantos atletas portugueses de voleibol são atletas de alta competição?
Acredito que estejam a pensar que agora fiquei maluco de vez, pois numa conjectura destas eu aqui a falar em profissionalização do voleibol. Mas é que quando avaliamos processos, projectos, nunca olhamos para o mais importante a vertente humana de cada atleta, atleta que assim denominamos, mas que de atletas só têm a parte das obrigações.
E afinal que relação existe entre o profissionalismo no voleibol e o balanço das duas últimas épocas desportivas das séniores da PEL. E a resposta é, TEM TUDO A VER.
Para mim, as minhas atletas são todas de seleção e lamento não as poder profissionalizar. Sim são todas de seleção umas por uns motivos, outras por outros.
Quando se é totalmente amador e se trabalha e cumpre como um profissional que é remunerado e só trabalha para o voleibol, o treinador só pode estar muito feliz do seu grupo de trabalho.
Percalços, chamadas de atenção, incorrecções, todos os tivemos, mas quando funcionamos como profissionais, sabemos o caminho certo e quando tentamos o corta-mato, rapidamente voltamos ao percurso certo. Ainda pudemos e devemos ser todos mais rigorosos e não nos acomodar-mos, pois ainda alcançamos muito pouco e sabemos todos ainda muito pouco.
Tive o prazer de manter a grande maioria do grupo nestes dois anos, tive o prazer de ver o crescimento e é um orgulho poder dizer que passados dois anos este grupo foi quinto classificado da segunda divisão nacional. Orgulhoso, mas não totalmente satisfeito, porque ainda existem 14 equipas melhores do que nós.
Quando tens pela frente um leque de pessoas sempre tão diferentes, o desafio é sempre enorme, por isso quando sentes o teu trabalho em cada uma, isso dá-te algum conforto, mas nunca te satisfaz, pois há sempre mais coisas a fazer e a melhorar.
Quando tens jovens de dezassete anos, a mostrarem-te que são umas senhoras a jogar, quando tens outras que vivem para o voleibol (o seu sentimento e pensamento primário), quando tens pessoas que jogaram em bons clubes nacionais, quando tens pessoas que são referencias de outras, quando tens pessoas que saíram de outros clubes para jogarem aqui e em alguns casos pagaram para o fazer, quando tens atletas de seleção, quando tens pessoas que nunca tinham jogado federadas, quando tens pessoas que somente gostam do voleibol, quando tens isto tudo e fazes um balanço individual com as atletas e todas querem continuar e trabalhar para serem melhores, só te podes sentir feliz, por elas todas, por ti e por todos os que contribuem para esta grande estrutura.
Obviamente que os balanços técnicos, tácticos e inerentes ao jogo só ao grupo dizem respeito e é sobre eles que trabalhamos todos os dias, sempre com um horizonte, sempre com objectivos, sempre no intuito de sermos melhores, por isso me privo de os identificar aqui.
Por isso minhas caras "atletas" lamento que estejam neste país cego, onde as modalidades amadoras sobrevivem, e onde o amor e o prazer à modalidade superam quase tudo.
Da minha parte o balanço é muito positivo.
