quinta-feira, 25 de abril de 2013

Balanço Séniores - dois anos de trabalho - PEL Voleibol

Primeiro que tudo quero dizer que aquilo que lamento mais é o facto de não podermos praticar voleibol de forma profissional. Não entendo como não se pode praticar voleibol como profissão. Atletas de seleção que não são remunerados no voleibol, que trabalham durante todo o dia e que depois à noite lhe exigimos que se empenhem, que se dediquem a 100%.
Por isso meus amigos aquilo que fazemos é continuar a brincar ao voleibol, que só difere nas vertentes escolares, universitárias, INATEL e federadas em coisas mínimas que ridicularizam a vertente da alta competição. Em Portugal quantos atletas portugueses de voleibol são atletas de alta competição?
Acredito que estejam a pensar que agora fiquei maluco de vez, pois numa conjectura destas eu aqui a falar em profissionalização do voleibol. Mas é que quando avaliamos processos, projectos, nunca olhamos para o mais importante a vertente humana de cada atleta, atleta que assim denominamos, mas que de atletas só têm a parte das obrigações.
E afinal que relação existe entre o profissionalismo no voleibol e o balanço das duas últimas épocas desportivas das séniores da PEL. E a resposta é, TEM TUDO A VER.
Para mim, as minhas atletas são todas de seleção e lamento não as poder profissionalizar. Sim são todas de seleção umas por uns motivos, outras por outros.
Quando se é totalmente amador e se trabalha e cumpre como um profissional que é remunerado e só trabalha para o voleibol, o treinador só pode estar muito feliz do seu grupo de trabalho.
Percalços, chamadas de atenção, incorrecções, todos os tivemos, mas quando funcionamos como profissionais, sabemos o caminho certo e quando tentamos o corta-mato, rapidamente voltamos ao percurso certo. Ainda pudemos e devemos ser todos mais rigorosos e não nos acomodar-mos, pois ainda alcançamos muito pouco e sabemos todos ainda muito pouco. 
Tive o prazer de manter a grande maioria do grupo nestes dois anos, tive o prazer de ver o crescimento e é um orgulho poder dizer que passados dois anos este grupo foi quinto classificado da segunda divisão nacional. Orgulhoso, mas não totalmente satisfeito, porque ainda existem 14 equipas melhores do que nós.
Quando tens pela frente um leque de pessoas sempre tão diferentes, o desafio é sempre enorme, por isso quando sentes o teu trabalho em cada uma, isso dá-te algum conforto, mas nunca te satisfaz, pois há sempre mais coisas a fazer e a melhorar.
Quando tens jovens de dezassete anos, a mostrarem-te que são umas senhoras a jogar, quando tens outras que vivem para o voleibol (o seu sentimento e pensamento primário), quando tens pessoas que jogaram em bons clubes nacionais, quando tens pessoas que são referencias de outras, quando tens pessoas que saíram de outros clubes para jogarem aqui e em alguns casos pagaram para o fazer, quando tens atletas de seleção, quando tens pessoas que nunca tinham jogado federadas, quando tens pessoas que somente gostam do voleibol, quando tens isto tudo e fazes um balanço individual com as atletas e todas querem continuar e trabalhar para serem melhores, só te podes sentir feliz, por elas todas, por ti e por todos os que contribuem para esta grande estrutura.
Obviamente que os balanços técnicos, tácticos e inerentes ao jogo só ao grupo dizem respeito e é sobre eles que trabalhamos todos os dias, sempre com um horizonte, sempre com objectivos, sempre no intuito de sermos melhores, por isso me privo de os identificar aqui.
Por isso minhas caras "atletas" lamento que estejam neste país cego, onde as modalidades amadoras sobrevivem, e onde o amor e o prazer à modalidade superam quase tudo.
Da minha parte o balanço é muito positivo.





domingo, 14 de abril de 2013

Compromisso e responsabilidade face ao processo de treino

Já ando para falar deste assunto à algum tempo, mas a minha ingenuidade leva-me sempre a acreditar na mudança.
A responsabilidade e o compromisso com o processo de treino é algo muito fácil de assumir, mas muito difícil de cumprir.
Este compromisso é limitador e é preciso existir muita responsabilidade para saber a dimensão e as consequências de fugir ás responsabilidades.
O compromisso é muito maior do que marcar presença no treino, é preciso ir ao treino para treinar, é preciso treinar para melhorar, senão não faz sentido ir três ou quatro vezes por semana ocupar o tempo(obviamente que falo no modelo competitivo federado). A diferença entre ir ao treino e treinar é muito grande e concorre para extremos divergentes.
As várias gerações passam e o problema mantém-se, no entanto o facto de se ser amador por vezes mistura-se com a irresponsabilidade, mas o problema e a desculpa não são por serem amadores, mas sim irresponsáveis. Podemos ser amadores, mas se queremos ser melhores temos sempre de agir como profissionais.
Eu dentro destes aspectos tenho sentido um de forma muito vincada e que não consigo tolerar, que são as saídas à noite e a falta de descanso, principalmente antecedendo jogos. É de uma tamanha irresponsabilidade e ignorância colocar todo o processo de treino em causa e o trabalho sério dos outros colegas.
O repouso e a respectiva recuperação do esforço são feitas durante o período de descanso, se não existe repouso, o corpo fica muito mais susceptível a lesões, o nível de atenção/concentração reduz drasticamente, bem como o tempo de reacção, as tomadas de decisão e o aparecimento de fadiga precocemente. Estes são apenas alguns dos aspectos que são directamente tocados e que prejudicam claramente a prestação individual do atleta e por conseguinte a prestação da equipa. 
Existe tempo para tudo na vida, tudo depende do rigor e de uma boa organização pessoal, o resto das desculpas para mim só demonstram falta de princípios de vida.
O pensar só no seu umbigo, como já devem ter percebido é algo que me repugna e sendo eu um lider de grupos ainda pior. O facto das pessoas não colocarem o grupo á frente dos seus desejos dá quase sempre mau resultado.
Outro compromisso é aquele que cada um tem em se alimentar devidamente, é preciso saber que um atleta tem obrigações e necessidades superiores a um indivíduo que não tenha uma prática física regular. Grande parte das lesões de esforço são provenientes da falta de reforço muscular, mas também pela má alimentação dos atletas, sobretudo lesões de esforço nas articulações, as nossas amigas tendinites.
E cá continuo eu a falar de coisas simples e óbvias, mas que são elas que muitas vezes condicionam todo o trabalho. E depois lá tem o chato do treinador intervir e preocupar-se com algo que devia ser um dado mais que consumado por todos.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

A Ariana,a Érica e as outras filhas

A Ariana faz hoje oito meses, depois deste tempo que passa em ritmo de corrida quero aqui deixar mais um testemunho.
Hoje consigo ver a sorte que tenho em ter duas filhas maravilhosas. Obviamente que todos dirão obrigado são tuas, logo para ti são maravilhosas. É verdade e aquilo que sinto só eu e mãe podemos sentir. No entanto elas são mesmo maravilhosas, a inteligência com que vivem permite-nos aprender muito com elas e de forma constante. São as aprendizagens diárias, são os desafios, são os momentos, tudo é bom.
A Ariana é mais mexida do que a mana era nesta altura e a sua constante manha, faz-nos pensar como é que aos 8 meses alguém bate com os brinquedos para nos chamar, chora até levar as suas vontades avante, ri e abre e fecha as mãos quando nos aproximamos para lhe pegarmos. Estes momentos e muito mais fazem-nos pensar como é possível.
Sempre tenho dito que é um desafio e uma responsabilidade do tamanho do mundo ter filhos e criá-los como todos queremos que é da melhor forma que conseguirmos. Actualmente tudo tem de ser muito bem ponderado, pois tanto em termos económicos, como essencialmente ao nível de valores, tudo é de extrema preocupação.
Ao fim de 13 anos de trabalho, continuo da mesma forma, a contrato sem saber o que se segue, e se este é um fator muito importante e preocupante, o outro é saber realmente os problemas que os mais novos enfrentam. Todos os dias no meu trabalho e no voleibol, convivo com meninas, adolescentes  e senhoras, por isso tenho um conhecimento muito realístico daquilo que são as mentalidades e as formas de estar, sei como estão os valores, desde o mais pequeno gesto de educação ao resto. Muito daquilo que vejo me deixa preocupado, também enquanto pai e educador me bastava ver um só mau exemplo para ficar preocupado, no entanto vejo muitos mais. Mas eu neste tipo de analises gosto de ver o todo e aí felizmente tenho a sorte de me relacionar e conviver com muito boa gente e com grandes valores. É isso que ainda me faz ter a esperança que o caminho que as minhas filhas escolherem seja o caminho delas e que possa ser o melhor possível.
O sorriso com que as duas traduzem a sua alegria, deixam-nos as pessoas mais felizes do mundo. A ingenuidade e pureza com que tudo é feito, fazem-nos acreditar que o mundo é lindo e está bem, mas não é a realidade de todos, mesmo acreditando que é a delas.
Não quero fugir muito ao que me levou aqui a escrever, mas no dia de hoje não posso deixar de lamentar muito daquilo que me envolve, a triste realidade que jovens, adultos e idosos todos os dias vivem, eu estou com todos, todos os dias e sei do que falo. Estou mais revoltado do que nunca, não acredito na política, nem compreendo tamanhas irresponsabilidades, tanto de liderança, como de oposição. Quem cumpre com as suas responsabilidades e sempre foi cumpridor, continua a sofrer com tamanhas irresponsabilidades de outros, hoje existem milhares de coisas e de medidas e de atuações que não consigo sequer qualificar, tal é a falta de compreensão que apresento.
Tento continuar a fazer a minha parte, como sempre fiz, nunca olhei só para o meu umbigo e sempre tentei contribuir, nunca fui passivo nos processos, mas começo a acreditar que bom bom é para quem não cumpre, quem contorna os caminhos.
A Quantidade de pessoas que já não vivem dignamente é uma coisa brutal e medonha, em vez de nos preocuparmos com o mínimo e digno para todos, continuamos a preocupar-nos com alguns.
Por isso a minha preocupação com as nossas filhas, as minhas e a de todos nós. Todos os dias hipotecamos as suas vidas, todos os dias as prejudicamos e este é o melhor caminho?
Hoje dou Graças a Deus de poder ver o sorriso todos os dias na caras das minhas filhas, mas não consigo olhar só para a cara delas, primeiro porque sou assim e depois porque o sorriso isolado delas nunca perdurará se o sorriso não estiver também na cara dos outros todos.

Hugo Maria - Voleibol