No entanto quando formei o meu
grupo sénior, sabia das dificuldades que teria, nomeadamente na angariação de
atletas com perfil para dar qualidade à mesma e que obviamente se juntariam a
um grupo de atletas jovens, com muita margem de progressão e que pudessem dar
continuidade e estabilizar o grupo.
Sinceramente se me dissessem
agora que conto com este grupo de trabalho, pensaria como é possível, sobretudo
por nos encontrarmos na margem sul, não quero continuar a dar enfase a isso,
mas a realidade é que esta barreira física e sobretudo psicológica é muito
limitadora. Para alguém aceitar vir jogar para este lado parece que tem de passar
a muralha da China a pé.
Mesmo acreditando no trabalho que
aqui é realizado é sempre difícil chegarmos a bom porto, pois aquilo que
oferecemos é sempre insuficiente e parte sempre atrás dos clubes de Lisboa.
Mas passando á frente, aquilo que
mais me tem deixado feliz é a forma como as pessoas que estão na equipa se têm
dedicado e participado neste projecto. Acho que percebem a sua importância e
que isso aliado ao seu amor pelo voleibol supera e ultrapassa os obstáculos.
Acho no entanto que ainda muita gente
não percebeu o que a seguir vou explicar, para que se perceba a importância do
projecto e desta equipa sénior.
Esta é claramente uma equipa
feminina de voleibol que vai ficar na história da margem sul, eu puxando da
história do voleibol na margem sul, não me lembro, nem tenho conhecimento de um
grupo a disputar a segunda divisão, na série dos primeiros, ou seja, com
qualidade para disputar com os melhores os acessos à divisão principal. Se
estiver enganado peço-vos que me corrijam. Eu estou a falar de pelo menos vinte
anos, trinta, quarenta, na vertente feminina. Mesmo na masculina a última
equipa da margem sul a disputar a primeira divisão foi o CIRL e depois disso na
segunda divisão o CP Siderurgia Nacional e o Volei Clube do SUL (que na altura
tinha outra denominação), fora estas equipas mais recentemente, o CIRL e o
Sesimbra, na segunda divisão.
Obviamente que muito tem crescido
o voleibol feminino na margem sul, sobretudo na última década, muito alimentado
pelo desporto escolar que apresenta um número muito grande de praticantes, o
masculino por seu lado está praticamente morto, com empurrões espontâneos que
rapidamente se apagam. Muita e boa formação tem surgido na vertente feminina e
não posso deixar de destacar o grupo iniciado e trabalhado pelo Paulo Soromenho
que actualmente tem atletas na selecção, na primeira e segunda divisão. O nosso
trabalho na PEL também tem dado boas atletas e este grupo sénior tem muitas
atletas com vinte e um anos com muita qualidade e que têm evoluído muito,
contando com algumas formadas por nós e outras nos nossos clubes vizinhos.
Por isso continuo a achar que é
muito importante manter a qualidade deste grupo sénior, é importante ter uma
referência na margem sul, pois todos os clubes ganham com isso, é uma imagem
nacional e uma referência local para as nossas atletas mais novas e para as
atletas das outras equipas.
Eu fico muito contente por ver
tantas jovens na margem sul a praticar voleibol, a terem aquela rivalidade
saudável, que só faz querer ser melhor e crescer. Gosto muito de ver o numero
de clubes a crescer e a melhorarem o seu trabalho, gosto muito de ver as
escolas a identificarem-se com os projectos e a enviarem as alunas para os
treinos. Os clubes como o Sesimbra, o CR Piedense, o Volei Clube do Sul, recentemente
o Fogueteiro, vêm dar maior visibilidade ao voleibol sulista e todos ficamos a
ganhar com isso, sobretudo se todos formos melhores.
Se somos muito desunidos e
afastados, sim somos e lamento, pois assim limitaremos o nosso desenvolvimento,
mas se é assim que funcionamos, tudo bem, já é muito importante o trabalho que
cada um de nós desenvolve, mas sinceramente acho que podíamos e devíamos abrir
a nossa mentalidade e sentarmo-nos para melhorar o trabalho de todos.
Porque não pontualmente e
rotativamente trabalho partilhado, treinos conjuntos e partilha de ideias?
Porque não desenvolvermos em conjunto reuniões/seminários? Porque não criarmos
um plano estratégico e de desenvolvimento conjunto? Porque não aproveitarmos
eventos que já se realizam e todos juntos tornarmos os mesmos referências
nacionais? Podia deixar aqui mais umas ideias mas acho que ficariam melhor numa
mesa de trabalho onde estou sempre disponível.
Às atletas da PEL que permitem à
margem sul desenvolver o seu voleibol, o meu muito obrigado, espero que saibam
o tamanho da responsabilidade que têm sobre os vossos ombros e que o meu maior
desejo é que se mantenham juntas e quando assim não puder ser que façam parte
da nossa estrutura para crescermos juntos e com mais qualidade, pois é com os melhores
que crescemos e aprendemos. É um luxo neste momento podermos ter tantas atletas
com qualidade juntas, aqui e neste projecto, pois estou consciente da
importância de estarmos onde estamos e da responsabilidade de nos mantermos
assim, sei que será muito difícil mas acho que se soubermos que aquilo que
transportamos é amor ao voleibol, à nossa PEL e a referência de muitas jovens
da margem sul que olham para vocês como exemplos e padrões a seguir, acho que
vale a pena.
Aqui não se trocam treinadores
por trocar, aqui não chovem atletas, aqui vivemos dos momentos e daquilo que
acreditamos, estou convicto daquilo que estou a dizer e acredito plenamente
nisso, porque senão em alguns momentos teria sido mais fácil mudar de margem,
mas acredito nesta margem e sei da importância do voleibol na margem sul, para
milhares de jovens desde o desporto escolar ao federado e tenho também a
responsabilidade partilhada com muitos dos que trabalham nesta margem de
continuar a trabalhar mais e melhor para termos na margem sul bom voleibol sem
dependermos directamente da ponte para termos identidade.
Que fique claro não pretendo
abrir guerra às margens, não pretendo fracturar nada, gostava sim que o
voleibol fosse mais partilhado e unido e se pudermos regionalmente formar estruturas
mais sólidas e solidárias acho que seria um bom princípio para todos nos
desenvolvermos. E não se esqueçam se não for cada um de nós a preocupar-se e a
tentar ajudar, ninguém vai fazer por nós.
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