quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Onde anda a humildade, o obrigado, onde anda a educação desportiva?

Cada dia que passa mais preocupado fico, o vazio de valores é tão significativo que começo a não acreditar.
A falta de humildade e de agradecimento é um podre que parece que se propaga como de uma epidemia falássemos.
No meio destas dificuldades todas, ainda há quem ajude e muitos felizmente, agora quem precisa e recebe às vezes não percebe o que acontece, critica o que recebe e mais não agradece, como se quem dá fosse obrigado a dar e a dar aquilo que quer receber.
No extremo, se calhar alguns nem têm o que comer, mas pedem bife da vazia e se só lhe dão iscas, criticam, esquecendo-se do fundamental, que alguém lhe deu de comer.
Este é o reflexo daquilo que falei à uns anos atrás que o consumismo que dominava a nossa sociedade, renegava o essencial, para enaltecer o supérfluo, renegava a fome para valorizar a gula.
Habituaram-se a ter, a ter sem qualquer esforço, nunca foram educados para valorizar o que tinham e agora que não têm não sabem não ter e não sabem agradecer a quem lhes permite ter alguma coisa.
No associativismo, à quem não possa pagar para poder jogar, mas joga, há quem ainda reclame daquilo que lhe dão gratuitamente e que nunca tenha uma palavra de agradecimento, sim o obrigado aquela palavra educada, é algo difícil atualmente, mesmo dado, tem de ser arregaçado.
Mas de quem é a culpa, é nossa enquanto sociedade, da educação, o não, tem de ser dito pelos pais, não podes fazer, não podes ter, não, não... Se tens agradece, agradece por muito pouco que seja é dado, é um gesto de grandeza, de nobreza. 
Vejo em muitos clubes que acompanho algo que me preocupa também, os pais, que passam pela mesma dificuldade, alguns, como podem dar aos seus filhos tudo de bom e do melhor, têm dificuldade em entender que ou têm todos ou não tem nenhum, pois quem dá ou dá a todos ou a nenhuns, a ninguém pode ser negado o mesmo do que aos outros quando funcionamos numa sociedade fechada como por exemplo num clube.
Mas às vezes penso, como podem valorizar as crianças o que têm se às vezes são os pais a alimentar estas situações, hoje os pais querem saber porque os filhos não jogam se pagam, querem saber porque trabalham com crianças menos desenvolvidas se a minha criança é melhor, querem saber porque aquecem com aqueles, querem que as crianças vençam a todo o custo, independentemente da forma como se chega à vitória. Existe obviamente o contrário, senão já não via nem uma luz ao fundo do túnel. Na faculdade, em pedagogia do desporto, a excelência da sabedoria do meu professor, dizia numa das suas aulas, muitas vezes os pais são mais problemáticos do que os filhos, pois os filhos muitas vezes são o reflexo da falta de formação desportiva dos pais, no desporto todos acham que percebem, todos falam, por isso há jornais desportivos diários. Foi uma frase que nunca mais me esqueci, sempre a achei muito forte mas atualmente cada vez faz mais sentido em alguns contextos. 
Muitos pais ajudam, muitos sabem o seu lugar, mas muitos não sabem estar, nem sabem educar desportivamente os seus educandos, alguns vêm nos seus filhos aquilo que gostariam que eles fossem, vêm na criança aquilo que nunca conseguiram ser e querem resultados para ontem. O problema é que exigem, mas são os primeiros a incutir irresponsabilidade no cumprimento do processo de treino, a não responsabilizar o seu educando pelo incumprimento das regras definidas e do compromisso, mas depois questionam porque não joga. Como pode valorizar a criança o desporto, como pode reconhecer no treinador a disciplina que este impõe? Se o pai lhe diz como é possível não jogares, sem aparecer a um treino, sem saber o que se passa?
Resumindo, mesmo explicando continua-se a não saber o que é o processo de treino, como neste momento não existe tempo de aprendizagem informal ( o recreio, os jogos de rua) confunde-se isto com treino, nada mais errado.
Por isso hoje entre a falta de gratidão, entre a falta de agradecimento, entre a falta de noção de educação e a aquisição de valores, tudo se desenrola mal e o reflexo é visível é nos jovens adultos.


1 comentário:

  1. Haja alguém que faça reflexões como esta e ainda, as consiga transmitir com tamanha clareza! Muito obrigada por tudo Nuno!

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Hugo Maria - Voleibol