quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Mais do que as palavras, os atos

Mais do que as palavras, os atos.
O projeto de voleibol da PEL, tem nomeado um conjunto de princípios que claramente a destacam de muitos outros clubes, esses princípios previligiam uma ocupação desportiva direccionada para o voleibol, onde os valores pedagógicos e a acção junto da comunidade e no meio do voleibol se realçam.
Os valores incutidos só podem ganhar dimensão e atingir as nossas atletas, se a nossa estrutura funcionar como tal, o exemplo vem de cima e tem no meu ponto de vista, sido dado. Obviamente que em muitos momentos erramos o que é natural, agora as tomadas de decisão tentam sempre respeitar o próximo e serem corretas.
A PEL não foi criada para vencer a todo o custo, longe disso, antes dos resultados desportivos, estão muitos valores, como os educativos, os escolares, os relacionais, os cooperativos, entre outros.
É em momentos como aquele que estamos a passar que vemos as diferenças, aqui ninguém deixa de jogar por não ter condições económicas, aqui a vertente humana é crucial. Aqui na maioria das vezes previligiamos as relações pessoais e as relações com os outros, aqui ajudamos o próximo, aqui tentamos minimizar carências profissionais daqueles que estão connosco e tentamos que a nossa comunidade possa apoiar as nossas jovens, aqui procuramos viver em família.
Aqui ficamos muito mais sentidos com as atitudes do que outros, mais importante do que as vitórias ou as derrotas, são essas atitudes, pois mais jogo menos jogo, mais vitória menos vitória, não nos leva a lado nenhum, agora as atitudes sim, ficam, marcam e deixam um rasto difícil de apagar.
A PEL, mesmo ao nível competitivo sénior, no topo da pirâmide não deseja passar por cima de ninguém, deseja construir e vencer se tiver condições para tal. Sabe a realidade em que está inserida e o grupo que tem, vive com os pés bem assentes no chão, sem megalomanias e sem tratamentos diferenciados.
Exemplo disso são os nossos actos e as atitudes que temos perante as adversidades alheias, como aquelas que tivemos no ano passado e que nos deixam muito orgulhosos, pois a quando de uma deslocação a casa de um adversário directo, num jogo importante para apuramento para a serie dos primeiros e face ao impedimento do seu recinto de jogo e recinto alternativo, por este se encontrar escorregadio, a PEL representada pelo seu treinador principal, dirigiu-se ao treinador adversário e sugeriu-lhe que fossem jogar ao nosso recinto alternativo, o que sucedeu e mais, permitimos a troca das jornadas, de modo a que essa equipa pudesse fazer o outro jogo que seria na nossa casa, na sua, em nenhum momento pensamos sequer em protestar o jogo, que era obviamente um direito que tínhamos. Mas conhecendo-nos nós todos neste mundo pequeno do voleibol e sabendo nós todos das realidades dos clubes e das dificuldades que todos temos em manter o voleibol, seria o que se impunha? Podia respeitar tal decisão, mas não a considero interiormente como correta, ando há muitos anos no voleibol, por acaso nunca protestei nenhum jogo devido às condições do piso, sempre procurei com os adversários encontrar soluções, pois só vou ao voleibol para jogar e ganhar no sítio onde trabalho diariamente, dentro do campo, para colocar em prática aquilo que treino, se treino mal ganho menos vezes, se treino bem ganho mais algumas, mas acima de tudo sinto-me bem como vivo no voleibol, também tenho atitudes menos corretas, no calor das situações que sinto injustas e sou o meu principal critico, mas não participo no voleibol com más intenções, nem pretendo criar problemas, pelo contrário.        
Estes valores mantém-me no voleibol e dão-me força para continuar, na PEL eu identifico-me muito com a forma de estar, com a filosofia, por isso falo do clube PEL sempre com muita alegria, alegria essa que foi construída com príncipios, por pessoas que estão neste projecto desde a sua criação e isso faz toda a diferença, pois sabem o que custa manter esta estrutura e sabem que fazem tudo para manter a mesma com a maior dignidade e qualidade possíveis.
Na PEL formamos primeiro pessoas e depois atletas, trabalhamos para todas as meninas e só nos preocupamos com aquilo que fazemos no nosso clube.
Eu vejo assim a PEL, o meu contributo é neste sentido e trabalho todos os dias com isto em mente, este é o meu ponto de vista, e tudo o que aqui escrevi são as minhas convicções enquanto membro da família PEL. 

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

O até já à Fernão

Hoje é um dia feliz para mim e para a minha família, hoje foi-me atribuído um horário completo no Agrupamento de Escolas João de Barros. Posso a partir de amanhã continuar a fazer aquilo que mais gosto e continuar a poder durante o próximo ano a ajudar a minha família com um ordenado.
No entanto este sentimento é agridoce, pois deixo mais do que a minha última escola, deixo um local onde nos últimos cinco anos senti-me como fazendo parte dele.
"Deixo" muitos colegas com os quais me identifico, mas deixo muito mais do que isso deixo muitos amigos.
Foi uma escola onde senti valorizado o meu trabalho, não só pelo reconhecimento verbal, mas com a confiança que depositaram em mim nas inúmeras funções que me atribuíram e das quais me sinto lisonjeado com tais nomeações.
Não posso deixar de agradecer à Direção da escola por tudo, fui muito bem tratado e agradeço-vos a competência que têm e colocam à disposição de toda a comunidade educativa. Tenho muita pena que não se estimem e dignifiquem pessoas como os professores João Gabriel e Manuel de Sousa, que os deixem partir sabendo todos nós que farão muita falta. Obrigado á Ana Pina, à Teresa Esteves e à Isabel Martins, todos os elementos da Direção me trataram muito bem e o tratar bem para mim é respeitarem-me, valorizarem-me enquanto docente e saber que sempre pudemos contar uns com os outros.
As auxiliares administrativas e da acção educativa sempre me trataram muito bem com muito carinho, respeito e competência, podia escrever muitos nomes mas correria o risco de me esquecer de alguém, pois apesar da proximidade maior em relação a algumas pessoas sempre fui bem tratado por todos.
Vou sentir muita falta dos meus alunos, muitos passaram por mim, nas turmas ou no desporto escolar ou simplesmente no pátio da escola, são muitos anos e muitas relações que se estabelecem, de trabalho nas aulas, de cumplicidade com os alunos no desporto escolar, o alcançar de objectivos em conjunto, a qualidade com que os alunos saem preparados na Educação Física, na escola tem de ser motivo de muito orgulho de todos os que fazem parte dela. Os alunos da minha Direção de turma, foram dois anos duros, com muitos momentos problemáticos, com muitos choros e muitas chamadas de atenção, valeu a pena, vocês sabem, fiquei muito orgulhoso dos vossos exames nacionais e espero que terminem em grande, pois aquilo que vos disse foi a verdade, capacidade têm por isso não a desperdicem, agradeço muito, mesmo muito aos conselhos de turma que compuseram esta minha Direção de turma em especial à minha secretária Fernanda Guerreiro e claro aos outros que pertenci que sempre foram muito competentes e sempre colocaram os interesses dos alunos à frente de tudo.
Como disse anteriormente a qualidade da disciplina de Educação Física na escola deve ser motivo de orgulho, muitas outras disciplinas também, mas quero salientar aquela que pertenci com orgulho e que sei a forma como trabalhamos, foi um prazer trabalhar contigo Alda, Ana Lúcia, Manel, Milu, Isabel e o Tó, aprendi muito convosco e espero ter contribuído também, outros passaram e deixaram marca, mas estes sempre lá estiveram na luta.
Desculpando-me muitos com quem trabalhei mas pelo tempo que estive e pelas funções desempenhadas durante estes cinco anos, quero agradecer à Carla Crespo, pelo tempo partilhado na equipa da biblioteca escolar, à Graça Vilhena enquanto Coordenadora dos Diretores de Turma e na formação de turmas com a Isolina, aos meus colegas do agrupamento de exames, um grupo brutal de trabalho (Tó, Jorge Duque, Pedro, Sofia, Ana Cunha, Fernando, Cristina, Isabel Rosendo, Alda, Beto, Sandra Roda, dona Fernanda) tudo se resolve quando a competência e a entreajuda estão presentes.
Corro o risco de me ter esquecido de alguém e desde já peço desculpa pois sabem que aquilo que escrevo aqui é aquilo que sinto e que sempre tentei vos transmitir em todos os momentos, por isso se me esqueci sabem que foi só aqui.
Para terminar, muito mais que um emprego, muito mais do que trabalho, levo grandes amigos no coração, os meus colegas de grupo sabem o que partilhamos juntos, cada um com o seu lugar.
Desculpem-me os outros mas há duas pessoas que foram muito mais que colegas, que companheiros, que amigos e que independentemente do local e da situação sempre lá estiveram Tó e Graça Vilhena, muito muito obrigado por tudo meus amigos.
Termino agradecendo-vos pela vossa preocupação nos últimos dias, foram tantos os que me enviaram mensagens, telefonemas e perguntaram sobre a minha situação.
Vou sentir a vossa falta FERNÃO.


segunda-feira, 26 de agosto de 2013

A prova dos Burros para os professores

Bom eu bem que me quero calar mas estas coisas que se passam são manifestamente ataques à minha inteligência e à minha tolerância.
Esta prova de ingresso na carreira que já mudou de nome para prova de ingresso na profissão é algo do mais ofensivo e intelectualmente vazio de valores. É ridículo e um atestado de incompetência para o próprio sistema, pois vai permitir informar alguns milhares de pais/encarregados de educação que aquele professor que durante 15 ou mesmo 20 anos leccionou não tinha competências e que o seu filho foi instruído por um incompetente. Eu como pai pediria contas a quem de direito, isto se ainda existir alguém de direito neste país.
Não é um teste que está em questão, são as faculdades/universidades/ politécnicos com cursos homologados pelo ministério, são directores que avaliam e que reconduzem, é a magistral avaliação docente, são os avaliadores dos docentes, são as comissões de avaliação, são os formadores dos centros de formação, todos maus profissionais e incompetentes!!!
Numa ciência como a educação, eu não consigo conceber como é possível ver a competência de um docente através de um teste, se é assim porque é que os parâmetros da avaliação de docentes da ADD são outros e contemplam parâmetros de relações com os alunos, de ensino individualizado, de observações de aulas, etc, etc.
Eu estou disposto a ser avaliado ao lado da mesa dos senhores que querem implementar esta prova e coloco a minha folha de registo lá em cima com todo o trabalho, avaliação, pareceres daquilo que tenho feito na escola e depois vamos todos dar aulas e participar nas actividades e diferentes funções na escola, assim eu aceito. E mais ainda perguntaremos directamente aos alunos e Encarregados de Educação como avaliam todas as prestações.
Eu que dou valores aos meus alunos para além dos ensinamentos, com que cara e com que dignidade vou encarar um aluno dizendo-lhe que vou fazer uma prova para ingressar na profissão depois de leccionar e dar tudo o que tenho durante 13 anos. É humilhante, um descrédito, um ataque ao professor enquanto pessoa e enquanto profissional.
NÃO TENHO MEDO DE NENHUMA PROVA, pois todos os dias tenho de provar aos meus alunos e esses sim são os meus grandes avaliadores e é para eles que eu aprendi, para os ensinar. Agora depois destes anos todos que tenho de provar para ser professor? Uma prova escrita?
Só podem estar a brincar, é uma vergonha e ultrapassa o razoável.
E para quando sair o resultado às medidas implementadas e aos resultados escolares apresentados? Os dados são de conhecimento público. Quero ver quem foi o responsável por estes resultados e se teve mais de 14, pois quero ver quem vai ficar sem trabalho.
Mas se este modelo é tão necessário porque é que não é implementado em toda a função pública? Porque é que os políticos não realizam uma prova destas? Qual o requisito, as competências académicas dos políticos? Bem, vamos lá ver então, muitos daqueles que aprovam estas leis e decretos têm menos formacão do que eu? Mas porque é que eu tenho de aceitar que alguém aprove a minha avaliação sem ser tão qualificado como eu? E quem me vai fazer e avaliar o teste? Não pode ser nenhum professor da faculdade pois se não teve competência para me formar de forma reconhecida, também não terá agora; alguém da escola especializado em supervisão pedagógica, também não pode, pois o doutoramento ou mestrado também pressupõe uma licenciatura e assim se estas não são reconhecidas, e ainda mais, normalmente estes docentes fazem parte da comissão de avaliação da escola e se essa avaliação não é reconhecida. Já agora a avaliação docente serve para quê? Por isso quem é que será a mente supra- sumo que irá conceber e avaliar as provas?
Cortarem tudo sem olharem a meios já é muitoooo mau, agora quererem fazer de mim incompetente, ignorante, desqualificado e estúpido, já é demais e já começa a cheirar muitoooo mallll.

domingo, 11 de agosto de 2013

Jogo aberto

Estamos na preparação da época desportiva, mas sempre com muito trabalho para dinamizar e ideias para consolidar.

No entanto quando formei o meu grupo sénior, sabia das dificuldades que teria, nomeadamente na angariação de atletas com perfil para dar qualidade à mesma e que obviamente se juntariam a um grupo de atletas jovens, com muita margem de progressão e que pudessem dar continuidade e estabilizar o grupo.

Sinceramente se me dissessem agora que conto com este grupo de trabalho, pensaria como é possível, sobretudo por nos encontrarmos na margem sul, não quero continuar a dar enfase a isso, mas a realidade é que esta barreira física e sobretudo psicológica é muito limitadora. Para alguém aceitar vir jogar para este lado parece que tem de passar a muralha da China a pé.

Mesmo acreditando no trabalho que aqui é realizado é sempre difícil chegarmos a bom porto, pois aquilo que oferecemos é sempre insuficiente e parte sempre atrás dos clubes de Lisboa.

Mas passando á frente, aquilo que mais me tem deixado feliz é a forma como as pessoas que estão na equipa se têm dedicado e participado neste projecto. Acho que percebem a sua importância e que isso aliado ao seu amor pelo voleibol supera e ultrapassa os obstáculos.

Acho no entanto que ainda muita gente não percebeu o que a seguir vou explicar, para que se perceba a importância do projecto e desta equipa sénior.

Esta é claramente uma equipa feminina de voleibol que vai ficar na história da margem sul, eu puxando da história do voleibol na margem sul, não me lembro, nem tenho conhecimento de um grupo a disputar a segunda divisão, na série dos primeiros, ou seja, com qualidade para disputar com os melhores os acessos à divisão principal. Se estiver enganado peço-vos que me corrijam. Eu estou a falar de pelo menos vinte anos, trinta, quarenta, na vertente feminina. Mesmo na masculina a última equipa da margem sul a disputar a primeira divisão foi o CIRL e depois disso na segunda divisão o CP Siderurgia Nacional e o Volei Clube do SUL (que na altura tinha outra denominação), fora estas equipas mais recentemente, o CIRL e o Sesimbra, na segunda divisão.

Obviamente que muito tem crescido o voleibol feminino na margem sul, sobretudo na última década, muito alimentado pelo desporto escolar que apresenta um número muito grande de praticantes, o masculino por seu lado está praticamente morto, com empurrões espontâneos que rapidamente se apagam. Muita e boa formação tem surgido na vertente feminina e não posso deixar de destacar o grupo iniciado e trabalhado pelo Paulo Soromenho que actualmente tem atletas na selecção, na primeira e segunda divisão. O nosso trabalho na PEL também tem dado boas atletas e este grupo sénior tem muitas atletas com vinte e um anos com muita qualidade e que têm evoluído muito, contando com algumas formadas por nós e outras nos nossos clubes vizinhos.

Por isso continuo a achar que é muito importante manter a qualidade deste grupo sénior, é importante ter uma referência na margem sul, pois todos os clubes ganham com isso, é uma imagem nacional e uma referência local para as nossas atletas mais novas e para as atletas das outras equipas.

Eu fico muito contente por ver tantas jovens na margem sul a praticar voleibol, a terem aquela rivalidade saudável, que só faz querer ser melhor e crescer. Gosto muito de ver o numero de clubes a crescer e a melhorarem o seu trabalho, gosto muito de ver as escolas a identificarem-se com os projectos e a enviarem as alunas para os treinos. Os clubes como o Sesimbra, o CR Piedense, o Volei Clube do Sul, recentemente o Fogueteiro, vêm dar maior visibilidade ao voleibol sulista e todos ficamos a ganhar com isso, sobretudo se todos formos melhores.

Se somos muito desunidos e afastados, sim somos e lamento, pois assim limitaremos o nosso desenvolvimento, mas se é assim que funcionamos, tudo bem, já é muito importante o trabalho que cada um de nós desenvolve, mas sinceramente acho que podíamos e devíamos abrir a nossa mentalidade e sentarmo-nos para melhorar o trabalho de todos.

Porque não pontualmente e rotativamente trabalho partilhado, treinos conjuntos e partilha de ideias? Porque não desenvolvermos em conjunto reuniões/seminários? Porque não criarmos um plano estratégico e de desenvolvimento conjunto? Porque não aproveitarmos eventos que já se realizam e todos juntos tornarmos os mesmos referências nacionais? Podia deixar aqui mais umas ideias mas acho que ficariam melhor numa mesa de trabalho onde estou sempre disponível.

Às atletas da PEL que permitem à margem sul desenvolver o seu voleibol, o meu muito obrigado, espero que saibam o tamanho da responsabilidade que têm sobre os vossos ombros e que o meu maior desejo é que se mantenham juntas e quando assim não puder ser que façam parte da nossa estrutura para crescermos juntos e com mais qualidade, pois é com os melhores que crescemos e aprendemos. É um luxo neste momento podermos ter tantas atletas com qualidade juntas, aqui e neste projecto, pois estou consciente da importância de estarmos onde estamos e da responsabilidade de nos mantermos assim, sei que será muito difícil mas acho que se soubermos que aquilo que transportamos é amor ao voleibol, à nossa PEL e a referência de muitas jovens da margem sul que olham para vocês como exemplos e padrões a seguir, acho que vale a pena.

Aqui não se trocam treinadores por trocar, aqui não chovem atletas, aqui vivemos dos momentos e daquilo que acreditamos, estou convicto daquilo que estou a dizer e acredito plenamente nisso, porque senão em alguns momentos teria sido mais fácil mudar de margem, mas acredito nesta margem e sei da importância do voleibol na margem sul, para milhares de jovens desde o desporto escolar ao federado e tenho também a responsabilidade partilhada com muitos dos que trabalham nesta margem de continuar a trabalhar mais e melhor para termos na margem sul bom voleibol sem dependermos directamente da ponte para termos identidade.

Que fique claro não pretendo abrir guerra às margens, não pretendo fracturar nada, gostava sim que o voleibol fosse mais partilhado e unido e se pudermos regionalmente formar estruturas mais sólidas e solidárias acho que seria um bom princípio para todos nos desenvolvermos. E não se esqueçam se não for cada um de nós a preocupar-se e a tentar ajudar, ninguém vai fazer por nós.

domingo, 4 de agosto de 2013

O certo


Afinal o que é certo? Tantas vezes nos interrogamos e tantas vezes tentamos arranjar uma resposta. Aquilo que muitas vezes devia ser tão simples e óbvio, muitas vezes ganha diferentes dimensões e significados diferenciados.
Sempre que se tenta fazer o que achamos certo, deveríamos ter a certeza do que é realmente errado, pelo menos termos uma noção para termos um ponto de partida.
O certo devia ser racional, ponderado, no entanto quando o certo chega ao coração, muitas vezes toma a forma de errado e outras vezes sabendo que está errado toma uma dimensão de certo.
O certo muitas vezes é incompleto e aí podemos considerar certo ou errado, outras vezes o certo depende dos critérios da avaliação ao mesmo.
Outro prisma é aquele paradoxo onde hoje aquilo que está certo, amanhã está errado, a linha do certo então pode ser finita, e o certo não é uma verdade absoluta.
Quando tomas uma decisão sobre um assunto que achas que é certo na tomada de decisão e depois vens a perceber que segundo os outros estava errado, tu que achaste que estavas certo, nunca mais olhas para esse certo com os mesmos olhos.
Muitas vezes queres acreditar no certo, mas sabes que aquele certo pode ser errado na sua aplicação e /ou nas suas consequências.
E agora o certo é o mesmo que correto? Que são sinónimos bem sei, mas será que eu estou a confundir o certo com o correto? Talvez não, talvez sim, talvez aquilo que ache certo, não seja o correto. Mas será que o correto é ser certo, ou será que está certo só porque sou correto, ou aquilo que está correto é o que está certo.

Aqui fica algo profundo, reflexivo ou confuso e incompreensivo?



terça-feira, 18 de junho de 2013

O Amor

Hoje acordei melancólico e quero aqui deixar uma dedicatória às mulheres da minha vida, e ao amor que sinto por elas:

A vida passa e o coração responde, uns dias o coração transmite o que sentimos e noutros nem sabe o que estamos a fazer.

Quando o coração manda na razão, por vezes perde discernimento mas vive profundamente.

O amor tu sentes, o amor tu vives.

O amor é uma paixão que vem do fundo do coração, o amor é um sentimento que não tem explicação.

A amor toma muitas formas diferentes, o amor é algo que acreditas e que estás disposto a dar tudo, por ele tu ris, choras, lutas, por ele tudo, por ele cegas e acreditas que tudo é colorido, por ele vives os dias a pensar, por ele nunca desistes.

Simplesmente amo-vos.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

O Distribuidor (Abordagem para além da técnica)

O distribuidor é claramente o estratega da equipa, dizem que é a peça mais importante num jogo de voleibol, eu sou suspeito mas concordo em absoluto.
Compete-lhe ser consistente tecnicamente, ser criativo e ter uma boa capacidade de líderança.
Um distribuidor tem de colocar a bola onde quer, com a trajectória que quer, imprimindo a velocidade que quer, deve ser criativo ao ponto de não estereotipar o seu passe e poder mexer com a sua equipa e a adversária, não permitindo uma fácil analise estatística das suas zonas mais solicitadas. A liderança deve ser uma das características do distribuidor, ele várias vezes tem de decidir, ele várias vezes manda no jogo, ele várias vezes assume. Um líder sabe quando deve exigir e sabe quando deve ceder, por vezes assume os erros dos outros em prol do rendimento do atacante.
Ele melhor do que ninguém conhece os seus recebedores prioritários, os seus atacantes, compete-lhe decidir naquele momento quem pode ser solicitado e cumprir da melhor forma. O domínio de cada formação é fundamental, saber quem está em melhor condição, tanto no side-out, como na transição.
A capacidade de antecipar o deslocamento, seguido do enquadramento, são pressupostos fundamentais. A travagem e as mudanças de direção assumem também um papel crucial, qualquer distribuidor deve ler o primeiro toque, antecipar a zona de contacto, travar de forma a entrar em contacto com a bola em equilíbrio e devidamente enquadrado. Durante o trajecto para a zona alvo muitas mudanças de direção são realizadas, por isso este tipo de deslocamento deve ser treinado em diversas situações. O posicionamento do distribuidor no side-out deve ser de forma a realizar deslocamentos curtos e rápidos, paralelo à rede dominando o seu lado e espreitando por cima do ombro o outro. Óbvio que existem posicionamentos que permitem uma mais fácil leitura de todo o jogo e outras de maior dificuldade. Uma recepção em zona 1, após serviço em zona 5 dificulta o campo de visão do distribuidor e reduz o tempo de analise, a bola entra pelas costas, o que obriga a um mais difícil reposicionamento e a uma execução técnica de grau superior.
A visão periférica, muito pouco treinada pelos treinadores é crucial, o foco no nosso recebedor, a analise do central contrario, são preponderantes na tomada de
decisão assertiva.
O distribuidor deve preparar da melhor forma a construção do ataque, antes do início da jogada deve claramente saber quem são os seus atacantes e os seus adversários diretos, deve tentar tirar o maior partido das lacunas adversarias, por exemplo a estatura dos pontas, o tipo de marcação de bloco que realizam, a capacidade do nosso atacante para cumprir aquilo que o distribuidor idealiza.
Um distribuidor deve jogar sempre com os braços bem elevados e sempre que possível em suspensão, permitindo-lhe acelerar o jogo e dificultar o deslocando dos blocadores contrários. O domínio dos dedos polegares é importantíssimo num distribuidor, o encaixe da bola nos dedos polegar e indicador, a capacidade de dominar vários tipos de passe e isso depende muito da colocação das mãos, da flexibilidade e extensão dos membros superiores e inferiores. O extensor dos dedos indicadores tem de ser trabalhado, estes são fundamentais na repulsão da bola, no efeito elástico dos dedos.
Com um bom domínio do passe é possível durante o contacto acelerar ou atrasar a repulsão da bola, é importante para prender os blocadores e é importante para deixar os atacantes em condições privilegiadas.
O passe em contra-salto permite atrasar a saída do central adversário e a saída da bola respectivamente, bem como permite mais tempo ao distribuidor para ler a defesa alta e baixa adversária, no entanto a exigência muscular é muito superior nesta variante.
 A zona de contacto com a bola pode ser intencionalmente modificada, permitido-nos retardar ou acelerar o jogo.
A partir do momento que o meu distribuidor deixa vezes consideráveis o atacante 1 para 1, isto demonstra um domínio considerável e um indicador da evolução do mesmo. Óbvio que a dificuldade é muito superior quando a distribuição é feita fora da zona alvo, nomeadamente bolas 2 e 3.
O domínio da trajectória de passe face à zona de recepção, é muito importante, pois uma recepção para zona 4 não pode ter a mesma abordagem ao nível do passe do que uma recepção para zona 2/3. A capacidade de analise do distribuidor face à qualidade da recepção permite muitas vezes o domínio do central adversário e a decisão de jogar na inversão quando a recepção fica chegada às pontas.
O domínio corporal e a finta na altura da execução, são domínios mais difíceis e não estão ao nível de muitos. Com a generalidade das equipas a realizarem uma avaliação da equipa adversária, um dos processos avaliados é a movimentação corporal do distribuidor. Alguns distribuidores aquando da realização do passe de costas avançam a bacia, esta analise pode ser muito importante, no entanto o distribuidor pode e deve utilizar esta lacuna em seu proveito, dando uma indicação corporal como se o movimento fosse realizado num sentido e depois o distribuidor joga no outro sentido.
Há várias estratégias dos distribuidores face aos erros dos seus atacantes, uma delas muito utilizada é o distribuidor dar a bola imediatamente a seguir ao erro, ao mesmo atacante.
As marcações de combinações de ataque podem ter dois sentidos, o de com trocas de posição "enganarem" os blocadores diretos ou marcar a combinação para prender os blocadores e jogar no lado oposto ao da marcação da combinação.
Em estádios iniciais da formação de atletas, as formações P2, P3 e P4, são formações onde a organização ofensiva tem de ser melhor preparada pelo distribuidor, o facto de contar só com dois atacantes, dificulta as opções de ataque e permite uma melhor organização ao nível do bloco contrário. As diferentes variações das zonas de ataque, das velocidades de bola, podem ajudar. Num estado mais avançado a opção de 2ª linha minimiza esta situação. Também aqui é importante considerar o distribuidor como opção de ataque, muitas das vezes para prender o zona 4 adversário e em outros casos o ataque ao segundo toque.






quinta-feira, 13 de junho de 2013

Conhecer ou não, eis a questão

Às vezes sinto que não te conheço como acho que te conheço.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

O indignado

Aos 35 anos, depois de 17 anos de estudo e 13 de trabalho, casado, com 2 filhas, passei a dormir mal. E logo eu que sempre precisei de dormir bem e que sempre estudei e trabalhei para dormir descansado.
Estou num dilema, no mesmo que muitos portugueses estão, o que fazer à minha vida profissional.
Percebo que são necessárias reformas, percebo como está o meu país, mas a incompetência de quem delinea e projecta, mata-me todos os dias. Não existe um planeamento, uma ordem, existe simplesmente um corte, que tentando ser económico é estruturalmente destruidor. Ninguém sabe o que está a fazer e na educação o caus está a instalar-se. Não é em defesa de um grupo que aqui estou a falar, mas sim dos filhos/alunos de todos e primeiramente da minha família.
A minha revolta é grande e agora correndo o risco de ser egoísta tenho de abrir o livro. Estou no ensino à 13 anos, contratado, sempre concorri a nivel nacional, sempre tive horário completo, 22 horas letivas, 13 não letivas. Sempre recebi o mesmo, não tenho indice e agora desde à dois anos ainda recebo menos. Mas será que agora o estado não precisa de mim? Eu que nunca fui um ator passivo em nenhuma das escolas, que desde que mudamos o sistema de avaliação, com o qual não concordo, nos últimos 4 anos fui avaliado com excelente, estamos a falar num sistema de cotas onde somente 5% pode ter esta avaliação, não, não foi cunha, nem amizades, estas avaliações foram em 2 escolas e feitas por 3 avaliadores diferentes. Desde que cheguei ao ensino, já fiz quase tudo, para além do monte de turmas que tenho, já fui várias vezes director de turma, sempre tive desporto escolar ou na vertente escolar ou na federada, já leccionei cursos profissionais, Cef, currículos alternativos, já fui coordenador de disciplina, coordenador de desporto escolar, já fiz parte da equipa da biblioteca escolar, já fiz parte da equipa de formação de turmas de Ensino básico e de secundário, já fiz parte de secretariados de exame, já fiz e faço parte do júri nacional de exames no agrupamento de exames. Resumindo em 13 anos de ensino já fiz quase tudo e sempre fiz para que fosse da melhor forma. Em complemento sempre fui treinador de voleibol de forma gratuita, iniciando projectos, consolidando outros, com funções de treinador principal de equipas, adjunto, seleccionador regional, treinador do centro de praticantes, treinador adjunto da selecção nacional de Cadetes Masculinos, director técnico, director.
No volei faço voluntariado, mais do que isso, porque dou o que tenho, conhecimento, dinheiro, tempo, princípios, regras, educacao, etc , em prol dos meus alunos/atletas.
Eu também no desporto tenho tentado fazer muito bem, não ando na escola e no treino para ser mais um, e até tenho alguns resultados, nada de especial, mas alguma qualidade com que me identifico.
Eu sempre trabalhei todos os dias, na maioria deles das 8h ás 22h, não estou rico economicamente, longe disso, mas sou feliz e amo o que faço. Sou trabalhador, dedicado, assiduo, nos últimos 4 anos não faltei um dia, trabalho para os meus alunos, crio projectos, participo na dinâmica de todas as estruturas da escola.
Sim, sei que estou correndo o grande risco de sair do ensino e de ser obrigado também a abandonar voleibol, pois tenho que sustentar a minha família. Mas será que a escola não precisa de mim, mas a escola precisa de quem? O critério dos cortes e a escolha existe? Será que o estado que sempre precisou de mim e usou a minha competência ao preço da uva mijona durante 13 anos, agora deixa de precisar? E no ensino só vão ficar os competentes? Mas nada disto interessa? A esta eu respondo, estão todos a ...  para isso, és um número, por isso nem sabem o que és, quem és, o que fazes.
Abrem concursos extraordinários e dizem que podes ir para a mobilidade interna, obrigam-te a fazer formação continúa que é quase sempre paga do meu bolso. A avaliação de docentes nos concursos conta para ... nao sei,lol.
Este é o meu país que não tem lugar para quem cumpre, para quem paga honestamente os seus impostos, que contribui para a formação global dos alunos, que mostra-lhes o caminho da excelência, que os ouve, que os ajuda, que faz a sua função profissional e pessoal e ainda contribui para a taxa de natalidade, lol.
Pode haver quem diga, este está sempre a chorar-se, mas eu vejo todos os dias amigos e colegas a ficarem de fora, vejo todos os dias as portas a se fecharem, vejo a injustiça disto tudo e vejo isto tudo à 13 anos, sempre à espera que Setembro seja um bom mês. Vejo o futuro da educação, dos alunos, das minhas filhas.
Por isso hoje EU estou indignado pois estou a educar os meus alunos para serem melhores e os outros que mandam, nem deixam que eles existam como seres, quanto mais pensantes.



sexta-feira, 3 de maio de 2013

Quem já jogou comigo, quem foi treinado por mim (clubes, seleções regionais e nacional, centro de praticantes, desporto escolar)

Por favor ajudem-me a fazer aqui um pequeno exercício de memória, por favor acrescentem aqui nos comentários ou no face, quem já jogou comigo e onde e/ou quem foi treinado por mim e onde.
É só para ter uma ideia, lol.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Balanço Séniores - dois anos de trabalho - PEL Voleibol

Primeiro que tudo quero dizer que aquilo que lamento mais é o facto de não podermos praticar voleibol de forma profissional. Não entendo como não se pode praticar voleibol como profissão. Atletas de seleção que não são remunerados no voleibol, que trabalham durante todo o dia e que depois à noite lhe exigimos que se empenhem, que se dediquem a 100%.
Por isso meus amigos aquilo que fazemos é continuar a brincar ao voleibol, que só difere nas vertentes escolares, universitárias, INATEL e federadas em coisas mínimas que ridicularizam a vertente da alta competição. Em Portugal quantos atletas portugueses de voleibol são atletas de alta competição?
Acredito que estejam a pensar que agora fiquei maluco de vez, pois numa conjectura destas eu aqui a falar em profissionalização do voleibol. Mas é que quando avaliamos processos, projectos, nunca olhamos para o mais importante a vertente humana de cada atleta, atleta que assim denominamos, mas que de atletas só têm a parte das obrigações.
E afinal que relação existe entre o profissionalismo no voleibol e o balanço das duas últimas épocas desportivas das séniores da PEL. E a resposta é, TEM TUDO A VER.
Para mim, as minhas atletas são todas de seleção e lamento não as poder profissionalizar. Sim são todas de seleção umas por uns motivos, outras por outros.
Quando se é totalmente amador e se trabalha e cumpre como um profissional que é remunerado e só trabalha para o voleibol, o treinador só pode estar muito feliz do seu grupo de trabalho.
Percalços, chamadas de atenção, incorrecções, todos os tivemos, mas quando funcionamos como profissionais, sabemos o caminho certo e quando tentamos o corta-mato, rapidamente voltamos ao percurso certo. Ainda pudemos e devemos ser todos mais rigorosos e não nos acomodar-mos, pois ainda alcançamos muito pouco e sabemos todos ainda muito pouco. 
Tive o prazer de manter a grande maioria do grupo nestes dois anos, tive o prazer de ver o crescimento e é um orgulho poder dizer que passados dois anos este grupo foi quinto classificado da segunda divisão nacional. Orgulhoso, mas não totalmente satisfeito, porque ainda existem 14 equipas melhores do que nós.
Quando tens pela frente um leque de pessoas sempre tão diferentes, o desafio é sempre enorme, por isso quando sentes o teu trabalho em cada uma, isso dá-te algum conforto, mas nunca te satisfaz, pois há sempre mais coisas a fazer e a melhorar.
Quando tens jovens de dezassete anos, a mostrarem-te que são umas senhoras a jogar, quando tens outras que vivem para o voleibol (o seu sentimento e pensamento primário), quando tens pessoas que jogaram em bons clubes nacionais, quando tens pessoas que são referencias de outras, quando tens pessoas que saíram de outros clubes para jogarem aqui e em alguns casos pagaram para o fazer, quando tens atletas de seleção, quando tens pessoas que nunca tinham jogado federadas, quando tens pessoas que somente gostam do voleibol, quando tens isto tudo e fazes um balanço individual com as atletas e todas querem continuar e trabalhar para serem melhores, só te podes sentir feliz, por elas todas, por ti e por todos os que contribuem para esta grande estrutura.
Obviamente que os balanços técnicos, tácticos e inerentes ao jogo só ao grupo dizem respeito e é sobre eles que trabalhamos todos os dias, sempre com um horizonte, sempre com objectivos, sempre no intuito de sermos melhores, por isso me privo de os identificar aqui.
Por isso minhas caras "atletas" lamento que estejam neste país cego, onde as modalidades amadoras sobrevivem, e onde o amor e o prazer à modalidade superam quase tudo.
Da minha parte o balanço é muito positivo.





domingo, 14 de abril de 2013

Compromisso e responsabilidade face ao processo de treino

Já ando para falar deste assunto à algum tempo, mas a minha ingenuidade leva-me sempre a acreditar na mudança.
A responsabilidade e o compromisso com o processo de treino é algo muito fácil de assumir, mas muito difícil de cumprir.
Este compromisso é limitador e é preciso existir muita responsabilidade para saber a dimensão e as consequências de fugir ás responsabilidades.
O compromisso é muito maior do que marcar presença no treino, é preciso ir ao treino para treinar, é preciso treinar para melhorar, senão não faz sentido ir três ou quatro vezes por semana ocupar o tempo(obviamente que falo no modelo competitivo federado). A diferença entre ir ao treino e treinar é muito grande e concorre para extremos divergentes.
As várias gerações passam e o problema mantém-se, no entanto o facto de se ser amador por vezes mistura-se com a irresponsabilidade, mas o problema e a desculpa não são por serem amadores, mas sim irresponsáveis. Podemos ser amadores, mas se queremos ser melhores temos sempre de agir como profissionais.
Eu dentro destes aspectos tenho sentido um de forma muito vincada e que não consigo tolerar, que são as saídas à noite e a falta de descanso, principalmente antecedendo jogos. É de uma tamanha irresponsabilidade e ignorância colocar todo o processo de treino em causa e o trabalho sério dos outros colegas.
O repouso e a respectiva recuperação do esforço são feitas durante o período de descanso, se não existe repouso, o corpo fica muito mais susceptível a lesões, o nível de atenção/concentração reduz drasticamente, bem como o tempo de reacção, as tomadas de decisão e o aparecimento de fadiga precocemente. Estes são apenas alguns dos aspectos que são directamente tocados e que prejudicam claramente a prestação individual do atleta e por conseguinte a prestação da equipa. 
Existe tempo para tudo na vida, tudo depende do rigor e de uma boa organização pessoal, o resto das desculpas para mim só demonstram falta de princípios de vida.
O pensar só no seu umbigo, como já devem ter percebido é algo que me repugna e sendo eu um lider de grupos ainda pior. O facto das pessoas não colocarem o grupo á frente dos seus desejos dá quase sempre mau resultado.
Outro compromisso é aquele que cada um tem em se alimentar devidamente, é preciso saber que um atleta tem obrigações e necessidades superiores a um indivíduo que não tenha uma prática física regular. Grande parte das lesões de esforço são provenientes da falta de reforço muscular, mas também pela má alimentação dos atletas, sobretudo lesões de esforço nas articulações, as nossas amigas tendinites.
E cá continuo eu a falar de coisas simples e óbvias, mas que são elas que muitas vezes condicionam todo o trabalho. E depois lá tem o chato do treinador intervir e preocupar-se com algo que devia ser um dado mais que consumado por todos.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

A Ariana,a Érica e as outras filhas

A Ariana faz hoje oito meses, depois deste tempo que passa em ritmo de corrida quero aqui deixar mais um testemunho.
Hoje consigo ver a sorte que tenho em ter duas filhas maravilhosas. Obviamente que todos dirão obrigado são tuas, logo para ti são maravilhosas. É verdade e aquilo que sinto só eu e mãe podemos sentir. No entanto elas são mesmo maravilhosas, a inteligência com que vivem permite-nos aprender muito com elas e de forma constante. São as aprendizagens diárias, são os desafios, são os momentos, tudo é bom.
A Ariana é mais mexida do que a mana era nesta altura e a sua constante manha, faz-nos pensar como é que aos 8 meses alguém bate com os brinquedos para nos chamar, chora até levar as suas vontades avante, ri e abre e fecha as mãos quando nos aproximamos para lhe pegarmos. Estes momentos e muito mais fazem-nos pensar como é possível.
Sempre tenho dito que é um desafio e uma responsabilidade do tamanho do mundo ter filhos e criá-los como todos queremos que é da melhor forma que conseguirmos. Actualmente tudo tem de ser muito bem ponderado, pois tanto em termos económicos, como essencialmente ao nível de valores, tudo é de extrema preocupação.
Ao fim de 13 anos de trabalho, continuo da mesma forma, a contrato sem saber o que se segue, e se este é um fator muito importante e preocupante, o outro é saber realmente os problemas que os mais novos enfrentam. Todos os dias no meu trabalho e no voleibol, convivo com meninas, adolescentes  e senhoras, por isso tenho um conhecimento muito realístico daquilo que são as mentalidades e as formas de estar, sei como estão os valores, desde o mais pequeno gesto de educação ao resto. Muito daquilo que vejo me deixa preocupado, também enquanto pai e educador me bastava ver um só mau exemplo para ficar preocupado, no entanto vejo muitos mais. Mas eu neste tipo de analises gosto de ver o todo e aí felizmente tenho a sorte de me relacionar e conviver com muito boa gente e com grandes valores. É isso que ainda me faz ter a esperança que o caminho que as minhas filhas escolherem seja o caminho delas e que possa ser o melhor possível.
O sorriso com que as duas traduzem a sua alegria, deixam-nos as pessoas mais felizes do mundo. A ingenuidade e pureza com que tudo é feito, fazem-nos acreditar que o mundo é lindo e está bem, mas não é a realidade de todos, mesmo acreditando que é a delas.
Não quero fugir muito ao que me levou aqui a escrever, mas no dia de hoje não posso deixar de lamentar muito daquilo que me envolve, a triste realidade que jovens, adultos e idosos todos os dias vivem, eu estou com todos, todos os dias e sei do que falo. Estou mais revoltado do que nunca, não acredito na política, nem compreendo tamanhas irresponsabilidades, tanto de liderança, como de oposição. Quem cumpre com as suas responsabilidades e sempre foi cumpridor, continua a sofrer com tamanhas irresponsabilidades de outros, hoje existem milhares de coisas e de medidas e de atuações que não consigo sequer qualificar, tal é a falta de compreensão que apresento.
Tento continuar a fazer a minha parte, como sempre fiz, nunca olhei só para o meu umbigo e sempre tentei contribuir, nunca fui passivo nos processos, mas começo a acreditar que bom bom é para quem não cumpre, quem contorna os caminhos.
A Quantidade de pessoas que já não vivem dignamente é uma coisa brutal e medonha, em vez de nos preocuparmos com o mínimo e digno para todos, continuamos a preocupar-nos com alguns.
Por isso a minha preocupação com as nossas filhas, as minhas e a de todos nós. Todos os dias hipotecamos as suas vidas, todos os dias as prejudicamos e este é o melhor caminho?
Hoje dou Graças a Deus de poder ver o sorriso todos os dias na caras das minhas filhas, mas não consigo olhar só para a cara delas, primeiro porque sou assim e depois porque o sorriso isolado delas nunca perdurará se o sorriso não estiver também na cara dos outros todos.

quinta-feira, 7 de março de 2013

"A recordação "

"Já percebi que a melhor recordação é a presença de alguma forma, pois muitas vezes quando não estás deixas de ser lembrado."

Hugo Maria - Voleibol